Canções de Danegann - Contos

Não vou escrever aqui exatamente um mundo completinho e show de bola, mas vou postando contos que se passam em um mesmo universo. Uso esse material para duas campanhas que mestro e é o cenário que venho desenvolvendo há pouco mais de um ano. Então, sim, tem muitos ajustes a serem feitos, muitas história incompletas e muitos nomes que claramente são temporários.

Um breve glossário:

  • Éstis é o nome do continente onde todas as histórias (por enquanto) vão se passar;
  • Danegann é o nome da região Norte de Éstis;
  • Ulur é a região Sul de Éstis;
  • Mais à incluir…

Aventuras Relacionadas

Os contos estarão relacionados às aventuras:
#play-by-post:cancoes-de-danegann — Campanha por texto que se passa em Ulur.
Campeões de Danegann — Campanha tradicional que se passa em toda Éstis.


Então, espero que gostem e quero muito o feedback de vocês, leitores e jogadores :heart: .

A Batalha da Fundação

Por Thalles Braga

Parte I - Tambores de guerra

Escrito por Um Camponês

Ventava a nosso favor naquela manhã. Não que fosse surpresa, afinal, Asória Lagazi rezou a noite inteira para os deuses pedindo por isso. Na grande planície a oeste do Rio Glas o ar era sempre estagnado e pesado. Quando ventava, era prelúdio de um ou mais tornados que escureciam os céus por dias. Mas não naquela manhã…As flechas voariam como nunca voaram.

A ansiedade mesclava-se com o aroma de enxofre e terra batida do ermo. Os soldados respiravam fundo, alimentando-se daquele furor, daquela antecipação. Dessa vez, após longas e custosas batalhas, não havia mais medo em seus corações. Na verdade, não havia espaço para qualquer outro pensamento além da certeza de que a vitória era a única opção. Não era exagero dizer que um derrota em batalha era o fim de tudo. Fim da liberdade. Fim da humanidade.

Lâminas afiadas, arcos afinados, armaduras ajustadas e corações aflitos. Fileiras e fileiras de homens e mulheres marchando para o Infinitum Imperium, logo nos primeiros minutos do toque solar. As tropas de Marloc eram insuperáveis sob o céu noturno e durante o dia, escondiam-se em suas fortalezas, cavernas, montanhas ou lagos. Mesmo que nossos iguais derrubassem uma das crias infernais, surgiriam mais dois da mais profunda fenda. Mas Arturus Braveheart veio com uma nova estratégia.

No topo do Monte Antiphon, cercado por terra árida e pedras em formatos naturais de estacas, protegido por uma falésia ao oeste, coberta por nuvens escuras anti naturais que jamais se desfazem ergue-se o Infinitum Imperium, a morada de Marloc, o Empalador. Não trata-se da maior ou mais suntuosa construção do continente de Éstis, mas certamente é mais nefasta e intransponível. Não há um único relato, conto e muito menos canções de seu interior, pois quem entra não sai e quem sai não quer cantar novamente.

Mas tínhamos Robert Construtor, um pequenino tão inteligente quanto esquivo. Estudou todas as passagens, cavernas e lençóis subterrâneos das planícies e desertos da região. Abriu caminho por entre elas, criou uma infiltração nas defesas demoníacas e preparou implosões em todos os Pilares da Sangria Ardente. Quase vinte equipes de infiltração foram aniquiladas entre as armações e as batalhas. Apenas dois sobreviveram, onze estão desaparecidos até hoje.

Não era tão simples derrubar a principal fonte de poder do inimigo. Os Pilares, mesmo quando inativos, possuíam seus protetores ou algo que se assemelhasse. Muitos demônios eram trazidos dos planos além para preencher infinitos exércitos vis e ali ficavam, na proximidades dos portais, atormentando a região e caçando demônios menores. Equipes chegaram a ficar quase três dias sem dormir ou comer, acuadas pelas carniceiros infernais, para então implodir os totens. Soubemos disso por um sussurro trazido pelos animais invocados pelos infiltradores, já que nenhum membro daquela equipe sobreviveu os eventos seguintes.

Toda e qualquer monstruosidade da escuridão foi invocada assim que nosso plano começou. O Empalador usou de todo seu poder para trazer o que pode dos planos abomináveis e não foi pouco. É claro que o General Arthurus já contava com isso e nós do exército Daneganiano já estávamos prontos no front, avançando em disparada. Pedras flamejantes derrubaram as crias aladas aos montes, flechas castigavam os impetuosos diabretes morro acima, magos e druidas moldavam o terreno à nosso favor. Fora uma investida tão esmagadora que ao olhar dos generais, mal dava para reconhecer o temível exército infinito. Os soldados mais novos já cantavam vitória a cada abate, mas eles não conheciam. Não conheciam Marloc ou se esqueceram de seu poder.

Aquelas nuvens perpétuas bloqueavam a luz do Sol, mas não como aquela criatura recém chegada. Era um filho da sombra inédito para todos ali, inclusive para mim. Tamanho terror é impossível de ser descrito, mesmo após tanto tempo. O demônio colossal sobrevoou a fortaleza corpulento, mas imponente. Arrastando-se nos céus com o deslizar de uma serpente, mas parecida com uma lagarta e sua pelugem grotesca. Quatro pares de asas de uma membrana decrépita e perfurada moviam aquele horror alado em assincronia. Mesmo as crias ao seu redor se afastaram, pois o ser não tomou conhecimento do que estava à sua frente, apenas aterrissou com todo seu peso. Quatro pares de patas alongadas cobertas por uma espécie de pele pustulenta e grosseira sustentou aquela entidade que, ergueu uma de suas três bocarras para o alto e emitiu um som assombrosamente alto. Os mais fracos de coração caíram de joelhos com as mãos sobre os ouvidos, gritando em pavor de volta para seu algoz. Alguns, inclusive, sangraram pelo orifícios da cabeça enquanto clamavam para que o som parasse.

Ali, como no xadrez, com um único bom movimento guardado para o momento certo, o feiticeiro demoníaco trouxe o jogo a seu favor.

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